domingo, 7 de novembro de 2010

texto da aula de português. parte 8

Eristeu morava longe de minha casa, mas todo o dia passava para me buscar. Eu me sentia um pouco envergonhado de chegar ao colégio com ele. Não por que estava com Eristeu, mais sim com o seu carro. Um fusca amarelo, nada berrante, fazia todos se virarem para rir de nós, e admito que fosse constrangedor, mas mesmo assim não o deixava ir sozinho, quando buzinava em casa.
Não entendo o porquê de ele usar aquele carro, sendo que sua família era rica, poderia muito bem andar com um sedan audi a8 ou uma BMW, ou vários outros tipos de carros novos que se tem por aí, mas nerd era nerd, e sempre que eu tocava no assunto do carro, ele ficava sensibilizado e dizia “um dia essa belezinha vai virar uma relíquia” e mudávamos para outro assunto.
Logo cheguei ao colégio, para minha sorte o portão estava aberto. Desde o primeiro dia no Emparie não teve uma sequer semana que eu não chegasse atrasado, era vergonhoso, mas não conseguia acordar a tempo, na maioria das vezes.
- Bom dia – Bernadetti, a zeladora, estava sorridente. Ela era alguns centímetros mais baixa do que eu tinha os cabelos arruivados num tom forte, sardas por todo o rosto, e um sorriso até que notável. Estranhei sua repentina mudança de humor, me cumprimentando daquela forma, pois todas as vezes que me recebia, era com a mesma expressão de “não vou com a sua cara” e raramente dizia alguma coisa. Interessante.
O colégio estava parcialmente movimentado, com um grupo de meninas conversando animadamente na cantina, que era ao lado da quadra coberta, onde estava um grupo de garotos, e um deles logo reconheci. Era Red, namorado de Katherine. Ou ao menos dizia ser, pois a ultima vez que os vi juntos foi na praça, perto de casa. Isso fazia umas 2 semanas. Desde então, em qualquer lugar que fosse não os vi trocando uma palavra. Talvez, por sorte eles tenham terminado.
Mas era evidente que ele continuaria fingindo, até fazer uma cena na frente de todos e dizer que não a queria mais. Era mais que provável, e tinha quase certeza que isso aconteceria em breve. Mesmo eu não sabendo de quase nada sobre a relação dos dois, tinha minha intuição que era muito certeira.
Já estava na cantina, precisava comprar algo para comer, estava com o estomago doendo. Fui até a atendente: - Por favor, me dê um doritos e uma coca – Abri minha mochila para pegar a carteira, e nem notei que alguém se aproximava.
- Bom dia Stevan – Surpreso por reconhecer a voz, hesitei antes de me virar.
- Ah, oi. – Não sabia o porque de Katherine vir falar comigo, ainda mais na frente de todos, na frente de Red.
Ela fez uma cara de surpresa, e fingiu estar ofendida com a falta de entusiasmo no comprimento.
- Sou tão ruim assim, para tão pouco entusiasmo? – Ela sorriu sedutoramente. Ri
- Não tanto – Sorri a desafiando.
- Você deveria ser mais simpático - ela piscou para mim, indo até a atendente, pedindo um iogurte. A atendente trouxe o meu pedido, e anotou o de Katherine. Peguei o dinheiro na carteira que estava em minhas mãos e dei a moça. Ela olhou para o meu pedido e riu a principio não entendi.
- Não está muito cedo para comer este tipo de comida? –
- tenho que me alimentar nada melhor do que coca com doritos logo de manhã! – abri um largo sorriso. Assim que seu pedido chegou, fomos nos sentar nas mesas que havia ali. Fiquei encarando ela, antes de abrir a coca, tentando a entender.
- Como esta as mãos, melhorou?
- Ah sim, melhorou! – parei, refleti. – Você esta com Red ainda?
Sua cara foi de total decepção, e respondeu com desdém a minha pergunta, sem se preocupar em disfarçar – Não.
- Bom, não é o que parece, pois ele não para de nos encarar... Mas, posso tentar brigar com ele, caso ele queira tirar satisfação, mas só me prometa uma coisa? – fiz uma cara de piedade. Ela ficou confusa, me olhando assustada.
- hm, não sei, depende. O que é?
- Me leve ao hospital após a surra certamente levarei. – olhei para ela, e Katherine sorriu.
O sinal bateu, e ela logo foi se levantando. – Nos vemos por aí, Stevan. E cuidado, vê se apanha de Red só quando eu estiver por perto... – ela piscou para mim, e se afastou.